quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Transposição do São Francisco: biólogos lutam para preservar espécies vegetais na área de caatinga


Biólogos lutam para preservar espécies vegetais na área de caatinga.  Grupo resgata amostras de plantas e sementes.

O vai e vem dos caminhões e as máquinas não param, quilômetros de vegetação já foram desmatados desde que as obras da transposição começaram. Entre tantos operários, uma turma especial segue na linha de frente pela vida.
O grupo não mede esforços para realizar uma pesquisa coordenada pela Universidade Federal do Vale do São Francisco, que se estende por 402 quilômetros no eixo norte e 220 quilômetros no eixo leste.
A elaboração do inventário florístico e o resgate de espécies permitem o reconhecimento da flora na região degradada. Nada passa despercebido, sementes são coletadas, árvores medidas e amostras de flores são colhidas. Tudo é registrado com a ajuda de um GPS, aparelho que registra a localização exata de cada planta.
O trabalho começou em 2008 e conta com a participação de biólogos e estudantes dos cursos de ciências biológicas, zootecnia, agronomia e engenharia agrícola e ambiental. Trabalhadores rurais também fazem parte do projeto que tem como objetivo, conhecer e preservar o bioma caatinga.
Assista ao vídeo com a reportagem completa e saiba como funciona os estudos dentro da universidade.
(Fonte: G1.globo.com)

sábado, 12 de novembro de 2011

Fórum BHSF e Ministério Público de Pernambuco discutem em audiência possibilidade de implantação de Usina Nuclear em Itacuruba.

A audiência em Itacuruba teve o objetivo previamente definido de discutir com os participantes e deliberar encaminhamentos acerca de temas relacionados ao Fórum e outros de interesse da população local.

Aproximadamente 200 pessoas compareceram ao auditório da Secretaria de Educação do município de Itacuruba (PE), local de realização da audiência no dia 09.11 (quarta-feira) que contou com forte participação da comunidade, com destaque para intervenção de jovens estudantes de escolas públicas municipais.  O evento teve a Coordenação do representante do Ministério Público de Pernambuco, Dr. André Silvani (CAOPMA), e pelo Coordenador Geral do Fórum Interinstitucional de Defesa da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco em Pernambuco, Marcelo Teixeira (Codevasf) e pelos membros do Fórum representando o DNOCS (Kátia Távora e Fernanda Cristina), Agência Condepe/Fidem (Wellington Eliazar e Paulo da Fonte), CPRH (João Moraes), Fundaj (João Suassuna), SEMAS (Marcus Carvalho), Cipoma (Sargento Paulino) e Fundarpe (Augusto Passhaus Neto). Se fizeram presentes a audiência, a  Prefeitura Municipal, a promotora de justiça de Itacuruba, Liana Menezes Santos, a  Diocese de Floresta, Povos Indígenas da região,  Articulação Popular São Francisco Vivo, Comissão Pastoral da Terra, Irpaa, Comitê da Bacia do São Francisco, além de órgãos que tem desenvolvido estudos e pesquisas na região, a exemplo da Fundação Joaquim Nabuco - Fundaj. A audiência  foi convocada pelo poder público (MPPE/CAOPMA) que diz ter tido conhecimento da possibilidade de instalação da Usina Nuclear em Itacuruba apenas através da imprensa. “O município ainda não foi informado, fiquei sabendo pelos jornais e pelo relatório da Eletronuclear disponível em um blog da região”, declarou o prefeito do município, Romero Magalhães Lêdo (PSB) em sua fala de abertura dos trabalhos.
Antes de abrir para debate, os representantes do  Fórum Interinstitucional de Defesa da Bacia do Rio São Francisco em Pernambuco – organização que reúne instituições públicas ligadas ao Meio Ambiente, Marcelo Teixeira e Wellington Eliazar – apresentaram características naturais e sócio-econômicas do estado de Pernambuco e em especial dos municípios que estão situados na área que compreende o Sertão de Itaparica. Em seguida, cartazes e gritos de ordem de “Não queremos Usina Nuclear” reforçavam a fala de diversas pessoas que manifestaram a preocupação com os impactos que a instalação de uma Usina Nuclear pode trazer para Itacuruba, para o São Francisco e para o país de forma geral, tomando por referência consequências geradas a partir da geração de energia nuclear em outros países. João Suassuna (FUNDAJ) e Vice Coordenador do Fórum BHSF, destacou que é membro do fórum não para dizer se é contra ou a favor da instalação da usina nuclear, mas apenas para levantar questões: uma sobre a energia nuclear, dizendo que essas idéias começaram a vir a tona a partir do ex-Ministro da Ciência e Tecnologia, Sérgio Rezende, que é Físico Nuclear; que a idéia está esfriando porque ele não é mais ministro; diz que a implantação de uma unidade como essa não requer muitos empregos e impõe a qualificação dos trabalhadores, o que não envolve ninguém da região; destacou a existência de outras fontes energéticas interessantes, como o sol (3.000h de sol ao ano no NE); quando se começa a usar a tecnologia a tendência é diminuir o seu custo e a energia solar já começa a igualar os tais custos aos das usinas hidrelétricas; manifestou preocupação com os resíduos gerados com a atividade de uma usina nuclear; diz que Itacuruba foi escolhida porque no outro lado do rio tem o Raso da Catarina, no Estado da Bahia, região desabitada que serviria para o depósito dos resíduos, no morro da Tigela. Sobre a transposição do Rio São Francisco, esclarece que vem estudando o problema há vários anos e diz que os canais serão utilizados para atender ao grande capital e não a população, pois não está claro no projeto como a água deixará os canais e atenderá “ao sítio do seu Zezinho que está logo ali”; diz que é preciso pensar no solo quando se fala em drenagem e o solo da região é dificílimo de ser drenado (solo raso e pedregoso) o que levará a salinização, algo muito grave para a população; diz que há alternativas maravilhosas (atlas nordeste de abastecimento de água) e que custa metade do valor previsto para a transposição e com um alcance social muito maior; “mas, porque foi priorizado no PAC a transposição e não o atlas?” É óbvio que o dinheiro determinou a escolha.
Dipeta Tuxá, dos povos indígenas Tuxás de Rodelas (BA), mencionou impactos que a região já sofreu com a construção da Barragem de Itaparica, que muita gente nem acreditava que seria  construída. “O governo brasileiro ainda é devedor aos povos dessa região, não devia nem cogitar a instalação de uma Usnina”, lembrou o representante indígena.
Alguns questionamentos seguiram no sentido de saber até que ponto a população terá direito à voz e à voto no processo decisório, sendo registrada a proposta de realização de um plebiscito ou referendo, considerando a importância da participação popular nas decisões políticas que afetam diretamente a vida das pessoas.
Ao meio dia em ponto, o Presidente do fórum finalizou os trabalhos, constatando a presença de cerca de 200 pessoas no auditório, agradecendo a todos e se colocando a disposição, propondo que os integrantes do fórum presentes se reunissem reservadamente, no Município de Floresta, visando a tomada de deliberações. Ainda promoveu especial agradecimento ao apoio dispensado pelo CIPOMA/PMPE e da Pefeitura de Itacuruba.
No dia anterior a audiência, foi realizada uma visita técnica ao suposto local da suposta instalação de uma usina nuclear no município de Itacuruba, na companhia do Vice-Prefeito do município, Sr. Gustavo Cabral Soares, do Pe. Sebastião, do Cacique Geraldo, na localidade denominada Fazenda Jatinã, cerca de 18 km da cidade municipal, obtendo-se no local as seguintes coordenadas UTM, obtidas a partir de levantamento por GPS realizado por técnico da CPRH, João Francisco Moraes: 24L520872/9032447. Ali, foi verificado o seguinte: a) área típica de caatinga hiperxerófila; b) proximidade de cerca de 800m de uma entrada do lado de Itaparica; c) existência de duas habitações do tipo taipa, sem energia e pequenas benfeitorias para a criação de caprinos, incluindo cercados; d) solo raso e pedregoso; e) idenficados pontos de assoreamento no lago, mediante inspeção visual; f) relevo plano e solo bastante exposto em face da vegetação rala; f) estrada de acesso carroçável, sem passagem molhada
Encerrada a audiência pública os integrantes do Fórum BHSF se dirigiram até o local onde se encontram as instalações do “Observatório Astronômico do Sistema Itaparica”, situado no Município de Itacuruba  e lá realizaram um levantamento fotográfico, sendo mais observado o seguinte: a) a existência de uma placa de identificação do “projeto impacton”, com a inscrição do “Ministério de Ciência e Tecnologia” e “Observatório Nacional” no portão de entrada do local; b) que o local era cercado por cerca simples de arame farpado e o portão se trata de uma portão de ferro preso a uma corrente e cadeado; c) o terreno na área cercada do empreendimento possuia bastante vegetação nativa (caatinga); d) foi visto no local a abóboda do observatório e junto ao mesmo um imóvel com características de casa de apoio ou escritório; e) ao lado esquerdo do observatório, em terreno não cercado, foi visto um imóvel não concluído, com características típicas de um outro observatório, embora não existindo nenhum tipo de identificação no local; f) da parte mais alta alcançada pelos visitantes, subindo na construção antes citada, constatou-se a virtual inexistência de pessoas, habitações ou outras formas de edificação, sendo que o local dista cerca de 9 km da cidade de Itacuruba; g) no deslocamento para o local, foi constato a existência de um lixão a céu aberto, evidenciando-se a absoluta falta de controle sobre o local (ausência de cerca, cobertura ou delimitação), com bastantes resíduos espalhados em vasta área, bem como a presença de um riacho atingido pela irregular atividade; havia dois adultos e uma criança recolhendo resíduos recicláveis no local; h) tudo foi documentado por fotografias digitais.
Sobre o assunto leia também: Blog do Meireles  - Blog de Alvinho Patriota - REMA - Missões

Mapa da área visitada da suposta usina nuclear
Folha  Floresta Revisada
LEGENDA DO MAPA

Parte da Folha Floresta, escala 1:100.000, editada pela SUDENE/DSG em 1985.
Cidade de Itacuruba antes da barragem de Itaparica, a qual foi inundada pela mesma.
1 – local suposto da futura usina nuclear no Município de Itacuruba,  
     8o 45’ 10,2” S / 38o 48’ 37” W.
2 – Ponto do lago de Itaparica mais próximo da suposta usina nuclear,
      8o 45’ 20,5” S / 38o 48’ 44,9” W.
3 – Nova Itacuruba, 8o 43’ 37,1” S / 38o 41’ 06,6” W (ponto próximo a Prefeitura Municipal).

Imagens do Google (Por: geólogo João Francisco Moraes/CPRH)

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Fórum realizou sua 48ª Reunião Ordinária na Fundaj.

O presidente da Fundaj Fernando Freire e o pesquisador João Suassuna

Aos dezenove dias do mês de outubro do ano de dois mil e onze às 09h, na sede da FUNDAJ- Fundação Joaquim Nabuco em Recife-PE estavam presentes as seguintes Instituições: Agência CONDEPE-FIDEM, CPRH, MPPE-CAOPMA (MPPE), FUNDAJ, DNOCS, CODEVASF, SEMAS, FUNDARPE, EMBRAPA e APEVISA, representados pelos signatários desta ata, se reuniram com o objetivo previamente definido e antecipadamente agendado em reunião do dia 21 do mês de setembro de 2011 para discutir a seguinte pauta: Assuntos - 1. Abertura. 2. Leitura e aprovação da Ata da reunião anterior (21.09); 3. Informes Gerais; 4. Aprovação do Novo Regimento Interno e eleição do Vice-Coordenador e Secretário Executivo; 5. Preparativos para a viagem a Itacuruba (PE). Visita técnica, Oficina e  realização da 49ª Reunião Ordinária; (dias 08,09 e 10 de novembro de 2011); e, 6. Encerramento.  Iniciando-se os trabalhos, o Presidente do Fórum, Marcelo Teixeira da CODEVASF, deu boas vindas aos presentes e agradeceu a Fundação Joaquim Nabuco por sediar a 48ª REUNIÃO ORDINÁRIA DO FÓRUM  INTERINSTITUCIONAL DE DEFESA DA BACIA HIDROGRÁFICA DO RIO SÃO FRANCISCO EM PERNAMBUCO, repassando a palavra para o Presidente da FUNDAJ, Dr. Fernando Freire, que declarou a satisfação da Fundação ser  a anfitriã dessa reunião do Fórum e passou a informar sobre a proposta que se encontra em fase de conclusão  que está integrada ao Plano Nacional de Educação - PNE e que esse Plano, a ser proposto, terá influência na área de abrangência da Bacia do Rio São Francisco. Discorre ainda o Presidente sobre a área de atuação da Fundaj que abrange as regiões Norte e Nordeste, podendo atingir todo o país por se tratar de uma Instituição nacional. Acrescenta ainda que, a área de estudo delimitado na proposta , de acordo com o PNE está delimitada a 5(cinco) áreas,  quais sejam a Bacia do São Francisco, Transposição, Transnordestina, SUAPE, PECEN e aquelas atingidas pela interiorização das Universidades públicas. Destaca a importância da integração do Fórum e do Comitê de Bacia do São Francisco na execução da proposta. Informa também que o Plano de Ação será apresentado ao Ministro no próximo dia 25 e que a partir de 2012 serão realizados trabalhos em mais de 700 municípios dentro das seguintes ações: pesquisa/educacional, Impactos ambientais, econômicos, históricos sobre o patrimônio a partir dos investimentos das áreas acima especificadas; Formação através de cursos de curta duração – 60horas, mestrado e especialização; Difusão de material pedagógico e campanhas. Encerrando a sua fala, declara o Presidente da Fundaj que, tão logo seja apresentado o Plano de Ação ao Ministério será encaminhado uma cópia ao Fórum BHSF e que a Fundação acompanhará e apoiará as ações deste Fórum. Dando prosseguimento a reunião foi entregue ao MPPE COPMA pelo representante da FUNDARPE, um exemplar do Livro Tatuagens Urbanas. Em seguida o Coordenador do Fórum Marcelo Teixeira da Codevasf informou a inclusão de novas instituições participantes, como sendo, a OAB- PE tendo como representante o Sr. Antônio F.G. Beltrão – Presidente da Comissão Estadual de Meio Ambiente, O Sr. João Paulo Holanda Albuquerque da Procuradoria da República  Polo Petrolina/ Juazeiro e o Sr. Alfredo Carlos Gonzaga Falcão Júnior  também da Procuradoria da República Polo Petrolina/ Juazeiro. Ressalta-se que todos estavam ausentes nesta reunião. Destacou também o Coordenador do Fórum, as presenças da Representante da SEMAS, Joana Aureliano e do Dnocs, Alexandre Moura. A seguir, iniciou-se os trabalhos em cumprimento aos itens constante da pauta, invertendo a sua ordem, quando passou a ser discutido os preparativos para a viagem a Itacuruba (PE), assim deliberando: Visita técnica, Oficina e   realização da 49ª Reunião Ordinária; Sobre este assunto foram decididos: Convite as instituições integrantes do Fórum e outras que tenham interesse na área e sobre o assunto da oficina será encaminhado pelo MPPE (CAOPMA), tendo sido tomadas as seguintes providências pelo representante Procurador André Silvani que foram repassados através de mensagem eletrônica a todos os presentes – 1) preparar convite (usar modelo que Geraldo encaminhou) a todas as instituições que integram o Fórum da BHSF e ainda: ao Comitê da Bacia do São Francisco e do Pajeú; as promotorias da região; a Eletronuclear e ao Centro de Energia Nuclear do MINISTÉRIO DA CIÊNCIA E TECNOLOGIA, localizado na UFPE; a OAB-PE; Polícia civil e Militar; GERES; DERE; SECRETARIA DA SAÚDE, DE MEIO AMBIENTE E DE TECNOLOGIA DO ESTADO; CHESF; ICMbio; IMPRENSA; CÂMARAS E PREFEITURAS DA REGIÃO; POLOS UNIVERSITÁRIOS DA REGIÃO (Belém do São Francisco, Serra Talhada, Floresta e outros); o físico Heitor Scalambrini Costa, da UFPE; IBAMA EM SALGUEIRO; COMPESA; CIPOMA; SINDICATO DE TRABALHADORES; ONGs, COLÔNIA DE PESCADORES e ASSOCIAÇÕES; IGREJAS e BISPO DE FLORESTA (Solicitar à promotora que identifique e convide outros segmentos da sociedade, da forma mais ampla possível); 2) detalhar o período e conteúdo do evento no convite, bem como a data de saída e retorno: no primeiro dia haverá a visita a Itacuruba (Prefeito Romero Magalhães); a oficina será em Itacuruba no segundo dia- confirmar com o promotor; a reunião do fórum será em Floresta, no último dia; a saída de Recife será no dia 07 de novembro e o retorno no dia 10,
após a reunião do Fórum; 3) a oficina, em Itacuruba, deverá comportar pelo menos 100 pessoas; 4) a oficina atenderá o modelo que foi encaminhado recentemente por
Dr. Geraldo Margela (a condução do trabalho será pelo CAOPMA e a temática é espontânea, decorrente das discussões dos problemas do Município com a população local, no modelo de uma audiência pública); 5) lembrar de manter contato telefônico com a Promotora para detalhar as ações; 6) Municípios RD Sertão de Itaparica: Itacuruba, Floresta, Belém de
São Francisco, Carnaubeira da Penha, Jatobá, Petrolândia e Tacaratu. Ainda sobre a viagem a Itacuruba o representante da Agência CONDEPE/FIDEM, Wellington Eliazar, colocou a disposição dois veículos e o MPPE um veículo tipo Van para 14 pessoas com saída dia 07/11 às 9h da sede do MPPE na Rua Visconde de Suassuna. Algumas instituições seguirão em veículos próprios destacando-se que as despesas de seus representantes correrão as suas expensas. Decidiu-se também que a Oficina seria realizada  no dia 09/11 em Itacuruba  sendo solicitado o apoio da promotoria local para a logística do espaço para no mínimo 100 pessoas. Foi aprovado que a hospedagem se daria na cidade de Floresta ficando as reservas de hotel a serem feita pelo representante da Agência CONDEPE/FIDEM sendo necessária a confirmação dos participantes até 30/10/2011. Ficou acertado que todos os participantes se encontrariam em Gravatá para formação do Comboio que a partir de Arcoverde teriam a escolta do CIPOMA. A visita ao município se dará no dia 08 e a reunião do Fórum será dia 10/11 e terá a apresentação de dados e indicadores do município pelo representante da Agência CONDEPE-FIDEM. Na reunião será feita a avaliação e os encaminhamentos de acordo com os resultados da oficina. Após encerramento dos trabalhos será feito o retorno ao Recife. Para esta oficina serão convidadas integrantes do governo federal responsáveis pelo programa de energia nuclear, prefeituras dos municípios circunvizinhos. Encerrando-se esse assunto de pauta, foi feita a apresentação da ata da reunião do dia 19 de setembro para aprovação haja vista já ter sido socializada entre os participantes. Em seguida foram dados alguns informes sobre a presença do representante da FUNDAJ, João Suassuna em dois programa de entrevista  em  emissora de TV, Assembléia Legislativa e em Debate e TV Brasil onde fez explanação a respeito das demandas e deficiências hídricas do Rio São Francisco e o projeto do canal do Sertão para 100mil há de cana-de-açúcar, cujas gravações foram entregues à Coordenação do Fórum para reprodução entre os participantes. Sobre os arquivos de documentos do Fórum que seria reproduzido pela Agência CONDEPE-FIDEM, considerando estarem disponíveis no Blog do Fórum, não serão mais providenciados. Iniciando-se os trabalhos sobre alterações no Regimento Interno foi feita a discussão e aprovação da transformação do cargo Presidente para Coordenador Geral, a criação do cargo de Vice Coordenador Geral tendo sido eleito o representante da Fundaj, João Suassuna, para ocupá-lo. Nesse momento também foi referendado pelos presentes, a permanência do MPPE através do CAOPMA, para a secretaria executiva do Fórum, ficando acordada a cooperação das instituições participantes, quando solicitada, nessa atividade, evitando dessa forma, que seja sobrecarregada aquela Unidade. As alterações propostas foram aprovadas pelos membros do Fórum e o novo regimento interno entrou em vigor em 19 de outubro de 2011.

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

47ª Reunião Ordinária do Fórum BHSF discutiu no dia 21/09 o uso da energia nuclear e seus impactos.

Membros do Fórum reunidos na CPRH - 21.09.2011

A 47ª Reunião Ordinária do Fórum BHSF ocorreu no auditório da Agência Estadual de Meio Ambiente - CPRH na manhã do dia 21/09/2011. A reunião contou com a participação de representantes do MPPE/CAOPMA, Codevasf, Sudene, Embrapa, Dnocs, Fundaj, Fundarpe, IPHAN, CPRH, Cipoma e Apevisa.   Na pauta do evento constava  a palestra de  Heitor Scalambrini Costa,  Professor da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) sobre "Impactos da Energia Nuclear no Nordeste" e que em sua apresentação disse que muito se tem falado e escrito pró e contra a opção do governo em reativar o Programa Nuclear, implicando assim na instalação de centrais nucleares no território brasileiro.
Para o Professor, os defensores desta tecnologia, identificados com setores da burocracia estatal, militares, membros da academia, grupos empresariais (empreiteiras e construtores de equipamentos), julgam que o Brasil não deve prescindir desta fonte de energia elétrica para atender a demanda futura, alegam ser vantajosa por ser barata e "limpa" por não emitir gases de efeito estufa. Afirmam não ser possível acompanhar o desenvolvimento científico-tecnológico, caso não se construa usinas nucleares. E por outro lado, minimizam o recente desastre ocorrido no complexo de Fukushima Daiichi, garantindo riscos mínimos, e mesmo a ausência deles, nas instalações brasileiras.
A primeira vista tais argumentos pareceria convincente, e poderiam até confundir os mais neófitos e menos desavisados cidadãos e cidadãs, que desejam o melhor para o país e para sua população. Mas a verdade dos fatos tem revelado que a opção pela energia nuclear atende somente a interesses inconfessáveis de alguns, em detrimento dos interesses da ampla maioria, resultando em mais problemas do que soluções.
É preciso entender de uma vez por todas, a grande vantagem comparativa do Brasil por possuir uma diversidade e abundância de fontes energéticas renováveis que não são encontradas em nenhuma parte do mundo, e que podem pela tecnologia atual, atender as necessidades energéticas atuais e futuras do país. Estas sim, desde que utilizadas de forma sustentável, podem contribuir para uma sociedade descarbonizada.
Afirmar que as usinas nucleares não emitem gases de efeito estufa é uma meia verdade. É certo que quando em funcionamento as usinas núcleo elétricas emitem desprezíveis quantidades destes gases. Mas lembremos que as centrais não funcionam sem o combustível nuclear. E este para ser obtido, passa por etapas e operações que são conhecidas como "ciclo do combustível nuclear", que vão desde a extração do minério radioativo, sua concentração, enriquecimento, preparação das pastilhas de combustível, seu uso na usina na geração de eletricidade, armazenagem do lixo radioativo produzido e o descomissionamento da usina, depois de atender sua vida útil. Em todas estas etapas e operações a produção de gases de efeito estufa é importante, e a quantidade varia muito em função da metodologia empregada para calcular, de 60 a 400 gCO2/kWh, como relatado por inúmeras publicações científicas. Por si só esta grande variação merece explicações e estudos mais conclusivos.
Relacionar a necessidade de instalação de usinas nucleares no país como sendo fundamental e imprescindível para acompanhar o desenvolvimento científico tecnológico na área nuclear é uma justificativa completamente fantasiosa, irreal e agride o bom senso. Minimizar os riscos das instalações nucleares é um atentado a inteligência de qualquer pessoa. Mesmo não divulgados, são freqüentes os vazamentos de materiais radioativos e problemas que ocorrem nas 442 usinas nucleares espalhadas em 29 países. Os desastres mais significativos nos últimos 20 anos, de Chernobyl, Three Mille Island e de Fukushima Daiichi, foram suficientes para alertar o mundo o quanto é perigosa e dos riscos à vida que oferecem estas instalações.
E finalmente, os custos da energia elétrica produzida pelas usinas nucleares são mais caros que outras fontes, como a eólica e a hidráulica, e comparados ao das termoelétricas. Além de necessitarem de subsídios públicos, ou seja, repasse de enormes recursos financeiros do tesouro nacional disponibilizados para esta tecnologia; que acabam dificultando que investimentos sejam realizados em outras fontes energéticas como a solar, eólica, biomassa, pequenas centrais hidroelétricas, e no aproveitamento dos recursos energéticos encontrados nos oceanos. E nós sabemos quem vai pagar esta conta: o consumidor. É certo também que com as novas regras de segurança impostas pós Fukushima, ainda mais caro ficará o custo da eletricidade nuclear. Scalambrini disse também que no mínimo é insensata esta opção energética adotada pelo governo brasileiro, e que deve ser mais discutida com transparência. Daí estar junto à imensa maioria da população que tem se manifestado contrária a construção de usinas nucleares em território nacional, fortalecendo o coro: Energia nuclear? Não obrigado.

No próximo mês de novembro, os membros do Fórum BHSF viajarão ao município de Itacuruba(PE), para verificarem o local aonde se pretende instalar uma Usina Nuclear no São Francisco. Sabe-se que de acordo com o documento A Rota da Expansão da Energia Nuclear no Nordeste, produzido pela Eletrobras Eletronuclear, o município de Itacuruba, sertão de Pernambuco, é a primeira opção para a instalação de uma usina nuclear no Nordeste. A ação faz parte do Programa de Expansão da Energia Nuclear Brasileira. Mas, por que Itacuruba? Segundo o documento, as razões da escolha seriam água disponível, pois fica às margens do Lago de Itaparica; solo estável; o município já possui linhas de transmissão da Chesf; fica entre os três maiores mercados consumidores de energia elétrica do Nordeste (Recife, o Complexo Industrial e Portuário de Suape e Salvador); e a baixa densidade populacional do município. Ou seja, um dos fatores levados em consideração na localização da usina nuclear está diretamente relacionado à sua presumível capacidade de dano.

Não havendo mais tempo para o desenvolvimento das atividades previstas na pauta, o regimento interno ficou para ser discutido na próxima reunião que terá a seguinte pauta: Assinatura da ata da reunião do dia 17/08/2011; Leitura, aprovação e assinatura desta ata; Informes gerais; Preparação da viagem a Itacuruba; e, Regimento Interno. Encerrando a reunião faz-se o registro da participação pela primeira vez no Fórum BHSF, da Apevisa – Agência Pernambucana de Vigilância Sanitária, através de seus representantes, José Pereira de Souza e Elias Pereira da Silva.

A XLVIII Reunião Ordinária será realizada dia 19/10 (quarta-feira) na Fundação Joaquim Nabuco Fundaj, Av. 17 de Agosto, s/n – Casa Forte – Recife-PE - Auditório Calouste Gulbenkian e a discussão será em torno da análise e aprovação do novo Regimento Interno do Fórum BHSF.

47ª Reunião Ordinária - CPRH - set/2011

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A 48ª Reunião Ordinária do Fórum BHSF será na Fundaj - Dia 19.10.11

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quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Rio São Francisco completa 510 anos de descobrimento.


Em Alagoas, as comemorações renderam muitos presentes. A data também foi festejada pelos índios. O coral Vozes da Cidade de Penedo expressou a gratidão do povo ribeirinho ao velho Chico.

Assoreamento causa prejuízos ao Rio São Francisco
Faz 510 anos que os navegadores portugueses descobriram o Rio São Francisco. Desde então, seu leito se transformou em uma verdadeira estrada para o desenvolvimento do Nordeste e do Sudeste.

terça-feira, 4 de outubro de 2011

04 de outubro: Aniversário do Rio São Francisco.



O Rio São Francisco

Regina Coeli Vieira Machado

Servidora da Fundação Joaquim Nabuco

pesquisaescolar@fundaj.gov.br
SÃO FRANCISCO
O rio São Francisco, denominado "rio da unidade nacional" representa a força de todas as correntes étnicas do Brasil, porque uniu as raças desde as camadas humanas mais antigas às estruturas étnicas e políticas mais recentes do País. Aproxima o sertão do litoral e integra homens e culturas.
Foi descoberto em 4 de outubro de 1501, pelos viajantes Américo Vespúcio e André Gonçalves. Os índios que habitavam a região chamavam-no de Opara, que significa rio-mar. Recebeu o nome de São Francisco em homenagem a São Francisco de Assis, nascido na Itália 319 anos antes do seu descobrimento.
Ele nasce na serra da Canastra no município de Piumi, oeste de Minas Gerais e desemboca na Praia do Peba no estado de Alagoas (margem esquerda) e na praia do Cabeço, no estado de Sergipe (margem direita). É conhecido também como Rio dos Currais por ter servido de trilha para transporte e criação de gado na época colonial, ligando a região Nordeste às regiões Centro-Oeste e Sudeste.
É considerado o terceiro maior rio do Brasil, possui 3.163 quilômetros de extensão e sua bacia possui 640.000 quilômetros quadrados de área, o que eqüivale a sete vezes o território de Portugal.
A fonte de vida e de riqueza de suas águas possibilitam o múltiplo uso do seu potencial hídrico, para abastecimento humano, agricultura irrigada, geração de energia, navegação, piscicultura, lazer e turismo. Ao longo de sua extensão aparecem várias quedas d'água, destacando-se a Cachoeira Grande, com 2.800m de extensão; a Cachoeira de Pirapora, que faz limite entre o curso alto e médio do rio; a Cachoeira de Sobradinho, com 5km de extensão; Itaparica, a quarta cachoeira do Alto ao Baixo São Francisco que, com seu grande volume de água, dá ao sítio um aspecto pitoresco e a Cachoeira de Paulo Afonso, uma das cascatas mais altas do mundo com os seus 82 metros de fundo e de beleza natural ímpar.
Há alguns anos, vários problemas de natureza social e econômica vêm afetando o percurso natural do rio, como o assoreamento, o desmatamento de suas várzeas, a poluição, a pesca predatória, as queimadas, o garimpo e a irrigação.
Quinhentos anos depois de seu descobrimento, o rio São Francisco é, ainda hoje, o principal recurso natural que impulsiona o desenvolvimento regional, gerando energia elétrica para abastecer todo o Nordeste e parte do estado de Minas Gerais, através das hidrelétricas de Paulo Afonso, Xingó, Itaparica, Sobradinho e Três Marias.
Diante de sua extraordinária importância para o Brasil, no decorrer desses 500 anos de exploração, o Velho Chico necessita de um melhor tratamento. A sua preservação espacial se faz necessária e urgente, para que ele possa ser útil também às futuras gerações.

Recife, 11 de julho de 2003.

(Atualizado em 31 de agosto de 2009).

FONTES CONSULTADAS:

ÁVILA, Gabriela Martin. O rio São Francisco: a natureza e o homem. Recife: Chesf, 1998. Não paginado.
BERGAMINI, José. Rio São Francisco, sua história e estórias. Belo Horizonte: Comunicação, 1976.
MEDEIROS NETO, Luiz. História do São Francisco. Maceió: Casa Ramalho, 1941.
MÉDIO São Francisco: da potencialidade à realidade. Belo Horizonte: Fundação Laura de Andrade/ Grupo Gutierrez, 1986.
SÃO Francisco: o rio da unidade, a river for unity. 2.ed. [Brasília]: Companhia de Desenvolvimento do Vale do São Francisco, 1978. Texto em português e inglês.

COMO CITAR ESTE TEXTO:

Fonte: MACHADO, Regina Coeli Vieira. Rio São Francisco. Pesquisa Escolar On-Line, Fundação Joaquim Nabuco, Recife. Disponível em: . Acesso em: dia mês ano. Ex: 6 ago. 2009.

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Histórias do Velho Chico.






O Rio da integração nacional - o São Francisco - é caminho de ligação do Sudeste e do Centro-Oeste com o Nordeste...Une climas e regiões diferentes. Descoberto há mais de 500 anos, o Velho Chico recebe água de 168 afluentes e banha os Estados de Minas Gerais, Bahia, Pernambuco, Sergipe e Alagoas. É rico em belezas, mistérios e lendas. Mas essa riqueza natural é também cercada de problemas sociais. A população que vive em torno do velho chico já enfrentou a miséria e começa a sentir os benefícios do projeto de Integração das bacias e transposição da águas.

Imagens do Rio São Francisco